A taxa das blusinhas derruba receita dos Correios em 37%, segundo estimativas internas da estatal. A medida, implementada para taxar compras internacionais de baixo valor, teve impacto direto nas operações da empresa, enquanto o governo federal celebrou recordes de arrecadação.
O regime tributário para compras internacionais, apelidado de “taxa das blusinhas”, foi instituído com o objetivo de conter a evasão fiscal e igualar a concorrência entre produtos estrangeiros e o varejo nacional. Contudo, essa estratégia teve efeitos colaterais significativos.
Segundo os Correios, a queda abrupta na quantidade de encomendas vindas de fora do país provocou um prejuízo estimado em bilhões, com recuo de 37% na receita relacionada a fretes e serviços logísticos internacionais.
A redução no volume de pacotes internacionais afetou diretamente a malha de distribuição dos Correios. Com menos pacotes circulando, houve ociosidade na infraestrutura, queda no faturamento de serviços acessórios e maior pressão sobre custos fixos.
Esse cenário impôs à empresa a necessidade de revisar projeções e ajustar operações em diferentes centros de distribuição.
Por outro lado, o governo federal registrou um aumento expressivo na arrecadação tributária proveniente das compras internacionais. A Receita Federal obteve receitas recordes em 2024, fruto da cobrança de 60% de imposto de importação mais o ICMS sobre os produtos adquiridos em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
Embora eficaz sob o ponto de vista arrecadatório, a medida acendeu debates sobre seus efeitos sobre a economia digital e a eficiência logística nacional.
Até o momento, apenas nove estados brasileiros passaram a cobrar o ICMS sobre as compras internacionais de baixo valor. São eles: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A adesão parcial contribuiu para intensificar a carga tributária sobre os consumidores dessas regiões, ao mesmo tempo em que aumentou a complexidade logística interestadual.
Especialistas apontam que a política pública, embora eficaz no curto prazo, pode comprometer a competitividade de operadores logísticos nacionais. A perda de participação dos Correios nesse segmento fragiliza o ecossistema de comércio eletrônico internacional, que dependia da estrutura da estatal para entregas capilarizadas no território brasileiro.
A situação exige uma revisão criteriosa das estratégias fiscais e logísticas, sob o risco de enfraquecer ainda mais o papel dos Correios num setor vital para a economia digital. A taxa das blusinhas, embora lucrativa para os cofres públicos, pode gerar perdas institucionais de longo prazo.